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Promovendo o Desenvolvimento

          O termo parentalidade surgiu para se referir aos papéis e funções parentais. A parentalidade vai além do fator biológico, está ligada a experiência de tornar-se pais e envolve as características da qualidade da relação conjugal e do ambiente familiar. 
          Embora o bebê apresente um repertório básico de competências e habilidades herdadas filogeneticamente, ele necessita do provimento de outra pessoa a fim de garantir a aquisição e o desenvolvimento de competências e habilidades imprescindíveis à sua vida tais como a psicomotricidade, o pensamento, a linguagem, a afetividade e a socialização. Para tal, os pais utilizam estratégias facilitadoras que levam a criança a atingir um desempenho desejável em uma tarefa que ela, sózinha, não teria condições de realizar com sucesso. 
          Assim sendo, a transição da dependência para a independência e autonomia vai depender da capacidade da criança pequena apoiar-se na parentalidade como uma base segura, a partir da qual explora o mundo e para onde retorna quando se depara com as situações de perigo ou angústia. A cada passo conquistado por suas iniciativas e ações, a criança desenvolve sentimentos de confiança e auto-eficácia, regulando e minimizando seus sentimentos negativos de frustração. 
          No mundo contemporâneo várias questões permeiam a parentalidade. Mas podemos elencar alguns princípios básicos e norteadores deste processo importante que é AMAR e EDUCAR os filhos. Atualmente os estudos mostram que a família é essencial na vida de todos, mas ela pode determinar tanto os aspectos de proteção (envolvimento, afeto, regras claras, responsividade), quanto de risco (punição física, negligência, regras inconsistentes ou ausência de regras) para o desenvolvimento da criança. 
          Os estilos parentais e as práticas educativas merecem atenção pois relacionam-se ao processo de socialização da criança. Ambos referem-se a dimensões distintas do processo educativo, temática estudada pela Psicologia do Desenvolvimento e que ora são tratados como sinônimos, ora como construtos diferentes. Os estilos parentais envolvem um  conjunto de atitudes dos pais que cria um clima psicológico-emocional em que se expressam os seus comportamentos. Envolvem também crenças, valores e aspectos relativos à hierarquia das funções e papéis familiares, expressos no exercício da disciplina, autoridade e tomada de decisões.
          Por sua vez, os estilos parentais incluem as práticas parentais (elogios, gritos, punições etc.) e outros aspectos da interação pais-filhos, tais como: tom de voz, linguagem corporal, descuido, atenção, mudanças de humor etc. Desta forma, Gomide (2003) divide as relações entre pais e filhos (de qualquer idade) em 4 tipos básicos: participativo (centrado na relação e socialização do filho); negligente (pais ausentes); autoritário (centrado nos pais); permissivo (centrado no filho). 

          Pais participativos – são pais responsivos, o que inclui características como reciprocidade, comunicação, afetividade, apoio, aquiescência parental, reconhecimento e respeito à individualidade do filho. Por sua vez, a responsividade parental correlaciona-se positivamente com as seguintes categorias de práticas educativas: envolvimento positivo com a criança, a criança como centro, aceitação da criança como pessoa, sensibilidade para os sentimentos da criança, aceitação da autonomia e divisão na tomada de decisões. Portanto, são pais centrados tanto na relação quanto na socialização e desenvolvimento do filho. Apresentam regras e limites claros para o direcionamento dos filhos mas educam com afeto, oferecendo muito apoio e atenção. Conseqüências para os filhos: crianças são identificadas como mais competentes em todos os níveis, ou seja, auto-estima satisfatória, habilidosas socialmente, com bom desempenho escolar e capacidade de resiliência (lidar com adversidades). 

          Pais negligentes – são pouco responsivos e pouco exigente; apresentam pouco afeto e envolvimento e poucas regras e limites. São considerados pais ausentes, com baixo nível de tolerância; aborrecem-se facilmente, seja com o choro natural de um bebê, ou com os pedidos da criança ou adolescente. Assim, “deixam” o filho fazer o que bem quiser mas, quando este chega ao limite ou quando sentem culpa de sua ausência podem controlar exageradamente ou punir. Conseqüências para os filhos: atraso no desenvolvimento, baixa auto-estima e auto-eficácia, com probabilidade maior de depressão, estresse, pessimismo, baixo desempenho escolar e baixas habilidades sociais e futuro comportamento anti-sociais. 

          Pais autoritários – são muito mais exigentes do que responsivos; apresentam muitas regras e limites, mas são pouco afetivos e envolvem-se pouco. São pais centrados em si próprios, portanto desejam somente a obediência dos filhos. Caracterizam-se por nível baixo de apoio e atenção emocional, mas alto nível de direcionamento; são demasiadamente exigentes, comandam a vida dos filhos e não favorecem a expressão destes. Conseqüências para os filhos: tendem a apresentar desempenho escolar moderado, mas se a pressão for muito forte podem apresentar ansiedade e, com isso, rebaixar o desempenho escolar; não apresentam problemas de comportamento, geralmente são crianças e adolescentes quietos e passivos, mas se a coerção dos pais for muito forte, podem mostrar hostilidade e agressividade contra figuras de autoridade; apresentam piores desempenhos em habilidades sociais, humor instável, auto-estima rebaixada e altos níveis de depressão, situações que podem levar para a vida futura.

          Pais permissivos – são pais muito centrados no filho. Dão muito apoio e atenção emocional, mas pouco direcionamento aos filhos; às vezes são pais que tem receio de serem rejeitados, não amados pelos filhos e então permitem em demasia ou são inconsistentes; experimentam sentimentos de culpa pela ausência devido ao trabalho e, a pouca resistência favorece o desenvolvimento de crianças mimadas e com baixa resistência à frustração. Conseqüências para os filhos: propensos a apresentarem auto-estima satisfatória, boas habilidades sociais e baixos níveis de depressão, mas por não internalizarem regras e limites acreditam que podem e devem experimentar tudo e testar todos; geralmente são crianças (e até adultos) mimadas, egoístas e sem limites na convivência interpessoal e social.

          Mas além de identificarmos os estilos, é importante identificar as estratégias utilizadas pelos pais denominadas práticas educativas; são variáveis que podem tanto desenvolver comportamentos pró-sociais quanto anti-sociais, dependendo da freqüência e intensidade com que o casal parental as utiliza. Gomide (2003) selecionou em seu modelo teórico sete práticas educativas que comporiam o Estilo Parental, sendo duas favoráveis ao desenvolvimento de comportamentos pró-sociais e cinco relacionadas ao desenvolvimento de comportamentos anti-sociais.

         Para visualizar as sete práticas educativas que comporiam o Estilo Parental: Clique aqui
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