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Compreendendo Cada Etapa

          1. Primeiro ano:

          O nascimento é um marco importante por compreender o desligamento biológico entre o corpo do bebê e da mãe. O bebê passa a funcionar biologicamente independente da mãe. Mas o desligamento psíquico ainda levará décadas para ocorrer, pois o bebê terá pela frente tarefas evolutivas importantes conquistadas pela espécie humana: andar, manusear objetos, pensar, falar e criar (em sentido mais amplo). Assim, o bebê/lactente representa uma promessa de vida, o “vir a Ser” a partir de condições de seu potencial herdado e de condições ambientais favoráveis (cuidados e práticas educativas adequadas) para que possa explorar o mundo a sua volta de maneira segura e confiante. 
          No início desta jornada, D. Winnicott, coloca a mãe como representando o ambiente favorável cujo papel é ser a holding do bebê, isto é, aquela que sustenta, mantém e contém os impulsos, as necessidades e as angústias do filho. 
          Outro aspecto importante, é que o nascimento de um filho afeta toda a família incluindo outro(s) irmão(s). E o afeto não é algo que possa ser distribuído e sim compartilhado. E esta será a lição ( da fraternidade como companheirismo e solidadiedade) a ser aprendida pelo irmão mais velho que perde o status anterior de filho único ou caçula, mas não o afeto parental. Isto deve ser garantido constantemente pelos pais por meio do olhar atento e da divisão dos cuidados da prole entre o casal, minimizando possíveis sentimentos de exclusão e rejeição por parte da criança. Por outro lado, este mesmo bebê poderá um dia perder seu reinado e deixar o colo materno vazio para um novo sucessor. Enfim, é o ciclo da vida que se impõe. 
          As informações a seguir incluem alguns parâmetros normativos, mas é preciso lembrar que cada bebê é único e tem o seu próprio ritmo de desenvolvimento.

          1.a. Ciclo do sono: o estabelecimento do ciclo circadiano (24 hs) pode demorar de 3 a 4 meses, quando o bebê estabelece o seu ritmo, dormindo todos os dias mais ou menos na mesma hora acordando uma vez ou outra para mamar; alguns ainda não dormem mais que seis horas direto. Se já não o fizeram, os pais deverão estimular o bebê a dormir em seu próprio quarto, mas tal decisão envolve crenças e sentimentos de cada casal. A habituação a um espaço (externo) físico próprio facilita a formação de um espaço (interno) subjetivo e a projeção de sua identidade. Compartilhar o mesmo quarto com os pais incrementa a falta de limites (próprios) e o padrão de comportamento de apego do tipo inseguro. Ao final do primeiro ano, o bebê estará mais ativo e nem sempre dormirá durante a tarde. De noite não deve ser problema para colocá-lo para dormir, uma vez que ele já conhece os procedimentos e sua rotina. Assim, a hora de ir para cama pode ser constituir em uma série de rituais que garantem conforto, tranquilidade e induzem ao sono.

          1.b. Desenvolvimento Psicomotor: O importante nesta etapa é organizar o ambiente deixando-o seguro para que o bebê possa explorá-lo ativamente.   
          • 1º mês: os movimentos do bebê não são voluntários, mas ele se mexe muito exercitando os movimentos reflexos e ficar um tempão apreciando um objeto bicolor. Ainda não tem idéia de que esses braços e pernas pertençam a ele, mas até o 3º/4º mês logo percebe e explora as partes do corpo e sua atenção se volta a objetos e brinquedos multicolores e formatos ou desenhos mais complexos;
          • 3º - 6º m: controle cervical e do tronco; sentado com apoio; com 6 m sentando sem apoio, deitado de bruço levanta a cabeça, ombros e o peito usando os braços como apoio fortalecendo músculos e está também tendo uma melhor visão do que apenas deitado; mexe seus braços e levanta suas pernas enquanto está deitado; joelhos e juntas mais flexíveis; se segurarmos o bebê na posição vertical, ele força com as pernas como se quisesse ficar em pé e andar. Ele quer ficar sentado, mas ainda precisa mais prática. Deve ser colocado para brincar de bruço, com freqüência, porque enquanto ele levanta o pescoço e ombros, fortalece músculos do pescoço; obtendo controle dos movimentos de sua cabeça, tais exercícios vão ajudá-lo a mantêr-se sentado também. Pode segurar as duas mãos juntas e abrir os dedos, devendo ser estimulada essa  habilidade oferecendo objetos e mostrando como ele poderia segurá-los.      
          • 7º - 8º m: senta-se sem apoio; se estiver deitado ele pode sentar-se sózinho, Se colocar o bebê no chão, tome cuidados com pequenos objetos que possam ser engolidos e embora o bebê na engatinhe, ele pode se mover bem e não vai permanecer no local inicial; bate palmas, aponta e abana com a mão incentive, pois são gestos importantes socialmente. Tenta juntar dois objetos com ambas as mãos. 
          • 9º - 10º m: pode engatinhar; deve ser estimulado colocando um brinquedo que ele gosta em sua frente, mas fora de seu alcance para que ele se estica e se esforça para pegar. Ponha o brinquedo não muito longe e comemore quando ele conseguir pegar. Deixe-o sempre com roupas confortáveis e que não impeçam os seus movimentos. Aprende a dobrar os joelhos e a sentar depois que conseguiu levantar-se; tenta subir em móveis; movimento de pinça. 
          • 11º - 12º m: anda apoiando-se em móveis e pode andar sozinho e vira várias páginas de um livrinho ou revista. 

          1.c. Desenvolvimento Cognitivo: A inteligência inicialmente se desenvolve a partir do equipamento sensorial e motor do bebê, reforçando a idéia anterior da estimulação destes aspectos.  
          • 0 – 3º m: assim que o bebê aprender a focalizar com ambos os olhos, ele também conseguir seguir um objeto em movimento; é bom fazer o exercício de um lado ao outro e depois mover em quatro direções, como um cruz. Seguir um objeto de cima para baixo é mais difícil e ele provavelmente  alcançará essa habilidade por volta do terceiro mês de vida. Nesta etapa já reconhece o cuidador; explora os objetos levando-os à boca; percebe movimentos a certa distância; olha para estímulos visuais sonoros e toca objetos com os dedos.  
          • 4º- 8º m: o bebê controla melhor os seus movimentos, tenta alcançar objetos (reações circulares secundárias) e ao alcançar um objeto, ele será quase que imediatamente colocado na boca. Deve ser oferecido vários objetos para ele explorar e brincar como, por exemplo, os chocalhos macios que fazem barulho e pode ser mordido.                              
          • 6º mês: o bebê está entendendo a relação de um objeto com outros; pode ser capaz de agrupar partes do brinquedo e blocos pelo tamanho. E também, se ele estiver admirando-se no espelho e você aparecer atrás dele, ele vai virar e olhar para você ao invés de acreditar que você está dentro do espelho. Uma das brincadeiras favoritas é apreciar como objetos ou pessoas aparecem e desaparecem. Esconder um brinquedo em baixo de uma manta pode ocupá-lo por um momento tentando achar o brinquedo de novo.      
          • 8º -12º m: maior coordenação dos esquemas motores secundários. 
          • 9º -10º m: põe objetos menores dentro de potes; brinca com partes móveis como, portas que abram e fecham, rodas de carrinhos, e pequenos volantes. 
          • 11º -12º m: com a marcha, alcança, joga, empurra e bate objetos; brinca de jogar um brinquedo no chão e ao ver a mamãe pegá-lo de volta adora o espetáculo e quer ver de novo e de novo e de novo; encontra um objeto escondido embaixo de uma manta ou caixa; começa a pentear os cabelos quando pegar uma escova ou pente, quando estiver segurando uma caneca faz que vai "tomar" e ao pegar o telefone procura "conversar" (imitação diferida). Vai aprendendo causa e efeito e a entender que para ações diferentes, há reações. Um jogo interessante para ele nessa idade é jogar um objeto no chão só pra ver outra pessoa pegar de volta e para ver onde e como eles caem. O bebê agora vê objetos pequenos e consegue seguir melhor os objetos em movimento. Nesse ponto, ele reconhece vários objetos mesmo que esteja vendo apenas uma parte do mesmo. 

          1.d. Desenvolvimento Afetivo e social: Inicialmente, a interação e comunicação do bebê é corporal e difusa por isso busca contato físico surgindo verdadeiras modalidades relacionais que ocorrem por meio:da visão (os olhares que se “amarram”), da gustação e olfato discriminados, da audição (“cordão umbilical acústico”), do tato (contato da pele e posturas tônico-posturais) e a partir do “banho” de palavras no qual a tonalidade e ritmo da voz materna provocam, no bebê, a ressonância tônico-emocional que vai aos poucos preparando e estimulando a criança na sua própria expressão verbal. 
          A sustentação inicial destas modalidades se dá pela necessidade social primária do bebê definida como comportamento de apego que é construído a partir da relação de cunho afetivo entre pais e filhos, que leva o bebê a procurar a presença e conforto dos pais, particularmente, quando se sente assustado ou inseguro sendo necessário o comportamento responsivo e disponível da pessoa que cuida para que desenvolva um padrão de apego seguro. As evidências de comportamento de apego podem ser observadas entre: 
          • 0 – 3º  m: Responde a sorrisos; mostra necessidades pelo choro. Assim, mesmo se você estiver ocupada com alguma tarefa de casa, o bebê vai apreciar se ainda puder ouvir a sua voz.
          • 3º - 6º m: até agora, o seu bebê foi mais observador, agora ele vai começar a interagir com o mundo ao seu redor. Ele vai sorrir ao ver um rosto no espelho, vai parar de chupar o dedo ou largar o bico do seio/ mamadeira só para ouvir a voz da mãe. Mesmo com outras pessoas, os sorrisos sociais são mais espontâneos. O bebê deve ser mantido em situações sociais das quais os pais participem para observar a riqueza da interação e da comunicação com outras pessoas. Por volta do 5º mês, está bem apegado a seus pais e familiares (levanta braços quando quer colo, chora se o deixam sozinho...) e chora para atrair atenção. Se  ensinado, ele começa a abraçar e a mandar beijos para familiares.
          • 6º - 9º  m: Interessa-se por objetos e pessoas; toca no espelho quando se vê; demonstra ansiedade frente a estranhos especialmente quando estiver cansado ou a mamãe não está à vista e pode chorar. Neste período, pode ser iniciado o desmame, considerado a maior ruptura depois do nascimento. O desmame do seio/mamadeira também envolve a oportunidade de fazer com que o bebê vá se habituando com as eventuais separações em relação àqueles que ama e confia de maneira progressiva.  
          • 9º -12º m: Grande interesse e prazer na interação social, mas pode ser difícil deixar o bebê sózinho com uma babá ou até mesmo com uma pessoa da família, pois ele está apegado à mãe e tende a chamar atenção. Os pais, não devem se preocupar, pois logo ele vai compreender que as pessoas amadas voltam para junto dele. Ao sair, os pais não devem prolongar as despedidas, dando apenas um beijinho, dizendo tchau e saindo. É difícil não sentir culpa, mas também é importante para a criança desenvolver independência se mãe/pai não poderão estar ao seu lado o dia todo.

          1.e. Brincar: se refere às aquisições de novas experiências e do aprendizado do bebê sobre o ambiente externo, mas também diz respeito a sentimentos e idéias. No segundo semestre da vida o bebê/lactente, que tem prazer em levar os dedos à boca, se apega progressivamente a objetos cuja forma pareça de início indistinta para se interessar a seguir por objetos como uma boneca ou um urso de pelúcia e associar outras atividades como brincar com um punhado de lã, uma fraldinha, um cobertor, mexer ou acariciar distraidamente um pedaço de pano. Estes “objetos transicionais”, observados e assim denominados por D. Winnicott, criam a ilusão de tranqüilidade e, futuramente, se expandem, nascendo o jogo e o brincar. 

          1.f. De volta ao trabalho: antes da metade do primeiro ano de vida do bebê, um grande número de mulheres retorna ao trabalho. Como já exposto, o processo de desmame psicológico deve ser gradual a fim de preservar o nível de confiança básico da criança, dependendo assim do modo como os pais manejam esta situação. Assim, a escolha de um novo cuidador (babá, avôs/avós, escola maternal e etc) deve ser planejada com antecedência a fim de permitir a habituação e formação, em tempo hábil, de vínculo da criança com o novo cuidador a fim de não sobrecarregar seus recursos cognitivos e emocionais. Ainda assim, com todo planejamento, a mulher pode vivenciar algum grau de sofrimento e culpa por esta ruptura/perda. Mas, os estudos apontam que mães e pais que trabalham podem garantir o bom desempenho de seus papeis por meio das práticas educativas, já elencadas, que garantam o envolvimento efetivo na vida de seus filhos. Igualmente importante é não minimizar e encobrir possíveis sentimentos, mais pontuais, da criança (irritabilidade, ansiedade e etc), sendo indicado que os pais expressem que entendem tais sentimentos e, no futuro, poderão estabelecer diálogo para situações como esta, com argumentações, mostrando à criança como é valorizado e satisfatório o mundo do trabalho. Portanto, fica claro o motivo pelo qual tentar compensar a falta com presentes não é considerada uma boa prática educativa, pois a criança deve aprender a lidar com outras tantas “faltas” que vivenciará mundo afora bem como reconhecer os valores da família (trabalho, pontualidade, competência e etc). 

          Final do primeiro ano: muitos bebês completam o primeiro ano de vida andando para todos os lados, nem sempre de maneira muito firme. Já não tão frágil e dependente, passa ater status não mais de bebe e sim de criança que ainda precisa de cuidados e atenção pois estará desenvolvendo independência e tentará fazer as atividades sozinho (banho, refeições etc). E é muito importante que a criança tenha estas oportunidades mesmo que não as realize perfeitamente e faça muita “bagunça”; ao contrario, ela precisa de treino para tornar-se mais competente e independente. 

          2. Segundo ano:

          Com a aquisição da marcha e do estado de desenvolvimento cognitivo que se segue logo após e que culmina no jogo simbólico e na fala, a criança surge como pessoa separada e autônoma. A verbalização da existência é contemporânea à organização das grandes funções práxicas e gnósicas (esquema corporal, disciplina esfincteriana) uma vez que o desenvolvimento psíquico está relacionado com a organização corporal e especialmente com a do cérebro. As funções sensoriais e intelectuais, os sentimentos e os juízos, a linguagem e as idéias não são funções isoladas; elas se estruturam a cada fase do crescimento psíquico. 
          Esta é a etapa na qual a criança tende a testar os limites impostos a partir do “não” vivenciado na sequencia de alguns de seus comportamentos. O curioso, e que pode tender a fazer uso da negativa de forma impositiva e autoritária, muito provavelmente pelo modelo observado e ouvido.

          2.a. Sono: o poder gerado pela possibilidade de maior atuação sobre o meio físico ao mesmo tempo o faz menos seguro. Assim, na hora de dormir, a criança de dois anos pode levar os vários acontecimentos do dia, ficar mais excitada ou tensa. A criança descobre mais coisas inclusive os “monstros” e “bruxas” ou então, por ocasião do nascimento de um irmão, sente a hora de dormir como uma situação de “abandono” estando a mercê de seus medos. Neste momento, uma reação calma e paciente por parte dos pais e bastante útil, mas não uma atenção exagerada que possa alimentar mais ainda a ansiedade.

          2.b. Desenvolvimento Psicomotor
          • 12º -18º m: maior equilíbrio e coordenação motora global e manual (refinamento do movimento em pinça) facilitam pegar brinquedos pequenos; 18o -24o m: relativa autonomia no controle de suas necessidades fisiológicas, e no reconhecimento do seu corpo no espaço; 
          • 23º -24º m: corre, chuta e fica na ponta dos pés sem apoio;  psicomotor adaptativo: constrói torre com 4 ou mais blocos, copia ou faz traços retos e círculos. Dos 2 aos 3 anos, adquire o controle de esfíncteres diurno e noturno; caso não adquira até os cinco ou seis anos, caracteriza-se o quadro de “enurese" devendo ser encaminhado para avaliação e tratamento. O treino da prontidão para controle de fezes e urina costuma ser iniciado aos 18 meses de idade. e uma das tarefas culturalmente mais valorizadas em nossa sociedade e, sendo assim, envolve os vários aspectos do desenvolvimento (psicomotor, cognitivo, lingüístico e afetivo-relacional); tanto e’ que muitas escolas maternais somente aceitam o ingresso das crianças com controle esfincteriano por representar autocontrole, autonomia e capacidade de aceitar ordens e regras. A atitude da criança a ser construída em relação a esta etapa dependera do tipo de pratica parental utilizada durante este treino.
 
          2.c. Desenvolvimento Cognitivo: Início da representação de idéias, vontade própria mas também obediência `as regras. A criança usa a linguagem para fazer perguntas e explorar idéias para compreender como tudo funciona, mas também ela fica “pensando”, ou seja, ela conversa consigo mesma dentro da sua própria mente. 
          • 15º -16º m: reconhece o uso de vários utensílios domésticos como vassoura, colher, telefone; 
          • 17º -18º m: começa a selecionar objetos por cor e  formato; 
          • 19º -20º m: reconhece nome das pessoas e partes do corpo; 
          • 21º -22º m: procura e encontra objeto escondido embaixo de 2 ou 3 tampas; início da função simbólica: formam-se os requisitos para que a criança tenha capacidade de imaginar, evocar um objeto e cuja manifestação pode ser observada na linguagem e no jogo. O jogo permite maior socialização, mas o que mais domina é mais o jogo paralelo (lado a lado com outra criança) do que cooperativo. Ao final desta etapa, a criança inicia a transição entre a inteligência prática (sensório-motora) e o pensamento propriamente dito. 

          2.d. Desenvolvimento Afetivo e Social: Nas relações ainda demonstram um certo egocentrismo (dificuldade de entender como o outro pensa e sente), mas com interações na busca e expressão de afeto; 
          • 12º -18º m: mostra afeição a pessoas e coisas; chora quando não está na brincadeira; sente quando separado dos pais por período muito longo. Sob pressão, pode se comportar como um bebê, pois ainda precisa de um “cordão umbilical mental” com a mãe/cuidador. Visitas a amigos ou parentes são experiências importantes para crianças desta idade. 

          2.e. Brincar: Cada vez mais o brincar engloba os vários aspectos do desenvolvimento assumindo uma importância fundamental como fator de promoção psicomotora, cognitiva e linguística bem como proteção e elaboração dos medos, dos ciúmes e das mais variadas situações estressoras, fontes de ansiedade e angustia. A imaginação, a criatividade, a fantasia interagem com a realidade e os possíveis conflitos podem ser resolvidos. Isto cria um sentimento de autoeficácia na criança pequena a partir da constatação de seus recursos internos. Do ponto de vista social e afetivo, as brincadeiras por serem paralelas e pouco coordenadas, também não se baseiam em distinção de sexo, inclusive na escolha dos brinquedos. Brincar com outras crianças também prepara a criança para compreender melhor outros pontos de vista que não o seu, para a partilha e solidariedade preparando para as futuras relações de amizade.

          2.f. A Pré-escola: Este é outro momento de ruptura importante. É preciso confiança em si, na criança e, sobretudo, nos adultos com quem ela ficará. Será o momento de fazer vários ajustes a partir da constatação do desempenho infantil em um novo ambiente.
  
          3. Terceiro ano:

          3.a. Sono: a maioria das crianças de três anos e tão ativa durante o dia, que dorme profundamente à noite. A perturbação do sono se refere, geralmente, a episódios bem pontuais. Mas tudo isto depende da rotina delimitada pelos pais. O que mostra que o estabelecimento de uma rotina na vida da criança pequena se faz necessária para o desenvolvimento em geral. Regras quanto ao uso de TV, brincadeiras e jogos devem ser bem definidas para que não alterem o ciclo do sono.

          3.b. Desenvolvimento psicomotor: boa capacidade de planejamento motor e maior domínio das AVDs (vestir-se, tomar banho..); pula alternadamente com os pés. Dos 3 aos 4 anos desenvolve a preferência manual (dominância de um mão que se deve à especialização hemisférica cerebral). As habilidades manuais devem ser estimuladas para desenvolver o “tripé” que segura o lápis, por exemplo. Do ponto de vista psicomotor adaptativo, faz cópia da cruz e de círculos. 

          3.c. Desenvolvimento Cognitivo: dos 2 aos 4 anos, a criança esta consolidando o pensamento simbólico, mas ainda carregará muitas características do período anterior sendo caracterizado como pensamento pré-lógico. As indagações enfocam mais sobre significado/causas dos fatos. Ao mesmo tempo em que apresenta maior controle interno e acata ordens, a fase de oposição pode se tornar mais evidente: ela começa  a estabelecer sua "identidade", reconhece a si mesma em meio a outros; isto a faz sentir-se privilegiada e, como consequência necessita ter suas próprias determinações; tende a se mostrar caprichosa e rebelde; utiliza frequentemente o “não” e surge o sentimento de vergonha (começam a se colocar no ponto de vista do outro desenvolvendo a chamada “teoria da mente” e ter consciência de sua própria imagem); entende o conceito de enganar alguém.Apresenta grande necessidade de afirmação e as crises de oposição devem ser toleradas porque é esperado que ocorram, mas com o cuidado para que a criança não se torne manipuladora e tirana. Se antes ela testava os pais, agora as regras devem ser claras e fundamentadas com certo nível de argumentação (com base na capacidade de compreensão); assim a criança verificara que o mundo é organizado e ordenado conforme leis básicas de convivência. 

          3.d. Desenvolvimento Afetivo e Social: Apesar da maior capacidade de autocontrole e inibição, ocorrem as famosas crises de ciúmes (por exemplo, com a chegada de um irmãozinho, apresenta comportamentos de regressão-volta a fazer xixi na cama ou nas calças e/ou a falar como um bebê) e de birra. E isso requer o uso de práticas educativas parentais firmes, consistentes e claras, com controle e sem excessos. O casal deve resolver com antecedência como querem lidar com as varias situações que enfrentarão daqui por diante, pois estabelecer limites e disciplinas será fundamental para que a criança desenvolva o autocontrole nas suas relações sociais. Percebe o que é capaz de fazer, observa os adultos e aprende como funciona o mundo social (papéis). A criança de 3 anos precisa aprender que há muitos tipos de pessoas e de famílias e precisará de ajuda para entender as diversidades desenvolvendo assim um repertório habilidoso para as suas relações interpessoais. Assim, a família passa a ser mais percebida como um modelo (ou não) de atitudes indispensáveis para a interação social (tolerância, preconceito e etc). Neste sentido os vários ambientes devem oportunizar o treino de um rol de habilidades sociais indispensáveis para a convivência humana: o autocontrole e expressividade emocional, empatia, civilidade, assertividade, fazer amizades e solucionar problemas interpessoais. 

          3.e. O brincar e a pré-escola: a brincadeira desenvolveu-se a partir das atividades imitativas e criativas, funcionando como um mundo próprio controlado pela própria criança trazendo-lhe sentimentos de conforto e segurança; e a diferenciação clara entre realidade e fantasia ocorrerá somente ao final do período pré-escolar. A criança de 3 anos  começa a brincar de forma, verdadeiramente, cooperativa com base nas habilidades cognitivas e sociais descritas anteriormente. O brincar cooperativo com os colegas, exige que entenda tanto sentimentos e desejos próprios quanto os direitos do outro. Assim, é mais reforçada (inter)relação entre afetividade-cognição-socialização  por meio do brincar simbólico. Neste momento, a pré-escola tem um papel fundamental na medida em que canaliza impulsos e necessidades para o aprendizado tanto de coisas novas como de novas formas de comportamento. Afinal, aprender é mudar de comportamento.
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