Portal dos Bebês

Fonoaudiologia

Odontologia

FOB
Imprimir AumentarDiminuir

altere o tamanho do texto:

Desenvolvimento da linguagem

O que é a linguagem?

  A linguagem se refere à expressão do pensamento pela palavra, pela escrita ou por meio de sinais. A linguagem colabora para o desenvolvimento de outras áreas, como cognição, socialização e o desempenho escolar, e contribui para o convívio em sociedade1.

  A aquisição da linguagem depende de um aparato neurobiológico e social, ou seja, de um bom desenvolvimento de todas as estruturas cerebrais, de um parto sem intercorrências e da interação social desde o nascimento. Alterações em qualquer uma dessas frentes podem prejudicar a aquisição e o desenvolvimento da linguagem2.

Crianças com Síndrome de Down apresentam uma tendência ao atraso no desenvolvimento da linguagem, quando comparadas com outras crianças consideradas com desenvolvimento típico (desenvolvimento considerado normal)3. Essa alteração pode estar relacionada a diversos fatores e, alguns podem ser trabalhados para melhorar o desempenho comunicativo da criança.

Os gestos são usados pelas crianças, durante o período de desenvolvimento da linguagem oral. Nas crianças com Síndrome de Down, os gestos podem ser usados por um tempo maior, tendo um papel importante como apoio em sua comunicação. Neste sentido, o uso de gestos não é necessariamente uma desvantagem durante o aprendizado da linguagem oral. Entretanto, esses gestos nunca devem ser usados para substituir a fala4. É importante lembrar que a dificuldade em falar, não impede a criança de se comunicar desde o início de sua vida5,6.

  Alguns estudiosos afirmam que o desenvolvimento cognitivo acontece de forma mais eficiente do que o desenvolvimento da linguagem oral, sendo este um dos motivos pelo qual a criança com a Síndrome de Down consegue compreender melhor do que se expressar7.

  Outra consequência do atraso no desenvolvimento da linguagem é o prejuízo na comunicação da criança, interferindo assim, na sua interação com as pessoas e na sua aprendizagem3.

  O ambiente é de grande importância, pois ele tem grande influência em seu desenvolvimento8. Pode-se afirmar que a criança aprende com o meio em que vive e com as pessoas que estão ao seu redor9, pelas interações e ações no ambiente. Por isso é fundamental que a criança esteja inserida em um ambiente rico em estimulação para que possa otimizar seu potencial8A família deve direcionar a aprendizagem de conteúdos de acordo com as vivencias da criança e seus interesses.

 Dentre os fatores que interferem no processo de recepção estão às capacidades de ouvir e ver.

 

A AUDIÇÃO

  A alteração auditiva é um fator que pode contribuir para o atraso no desenvolvimento da linguagem. Problemas de audição podem ocorrer nas crianças com Síndrome de Down, como infecção crônica de orelha (dor de ouvido) e efusão da orelha média (quando ocorre um vazamento de líquido pela orelha). O mais comum é encontrar perda auditiva de graus leve a moderado10,11. Por este motivo é importante que esta criança realize avaliação audiológica o mais precocemente possível.

 

A VISÃO

  A visão íntegra contribui para a criança aproveitar o ambiente ao máximo, para que assim haja seu melhor desenvolvimento3. O diagnóstico precoce de alterações visuais permite a prevenção e o tratamento contribuindo para diminuir as várias dificuldades que essas crianças possam apresentar em sua aprendizagem e integração social.

  É aconselhável que a criança com Síndrome de Down seja examinada por um oftalmologista anualmente, para que seja realizado o acompanhamento visual.

  Há probabilidade de ocorrerem problemas visuais, dentre os quais citam-se: miopia (dificuldade para ver de longe); hipermetropia (dificuldade para ver de perto), astigmatismo (dificuldade para ler), estrabismo, catarata (lesão no cristalino), blefarite (inflamação na inserção dos cílios), nistagmo (movimentos rápidos dos olhos, com a criança acordada), obstrução do canal lacrimal e ceratocone (alteração na córnea) 5,8.

 

O DESENVOLVIMENTO MOTOR

  O acompanhamento do desenvolvimento motor é outro fator de relevância para o aprendizado da criança com Síndrome de Down. A presença de atraso nesta área pode contribuir negativamente no processo de aquisição da linguagem, pois as crianças com Síndrome de Down apresentarão uma maior dificuldade em explorar e interagir com o meio em que estão, podendo diminuir as oportunidades de interação8,12,5. Alterações motoras nos músculos da face também poderão fazer com que a criança tenha dificuldade em articular corretamente as palavras. As consequências do atraso no desenvolvimento motor podem ser representadas pelo fato de a criança permanecer mais tempo deitada, não buscando voluntariamente seu brinquedo, não atuando de maneira independente nos diversos ambientes de sua casa, entre outros.

  Quando a criança está deitada ela tende a ficar mais tempo sozinha, além de ter um campo visual menor, diminuindo assim a quantidade de estímulos que ela pode receber e a interação com objetos, eventos e pessoas8.

            Apesar da expectativa de ocorrer atraso nas etapas do desenvolvimento de linguagem, as crianças poderão desenvolver habilidades comunicativas, compreender conteúdos e se expressar oralmente, dentro do seu potencial. A família tem um papel fundamental na estimulação do potencial comunicativo das crianças. Desta forma, compreender as etapas do desenvolvimento, os meios e estratégias para auxiliá-los na aprendizagem é fundamental.

  Neste material são apresentadas algumas sugestões de como estimular a criança com Síndrome de Down que serão complementadas com as orientações do(s) profissional(is) que atua(m) com a criança.

 

Referências:

1.               LILCHTING, I.; COUTO, M.I.V.; LEME, V.N. Perfil pragmático de crianças surdas em diferentes fases lingüísticas. Rev Soc Bras Fonoaudiol. São Paulo, v. 13, n. 3, p. 251-257, jul-set, 2008.

2.               MOUSINHO, R.; SCHIMID, E.; PEREIRA, J.; LYRA, L.; MENDES, L.; NÓBREGA, V.; Aquisição e desenvolvimento da linguagem: dificuldades que podem surgir neste percurso. Rev. Psicopedag. 2008; 25 (78): 297-306.

3.               Síndrome de Down: Estimulação e desenvolvimento da fala e linguagem. Editado e distribuído gratuitamente por PROJETO DOWN. Centro de Informação e Pesquisa da Síndrome de Down. São Paulo, 1994.

4.               LIMONGI, S.C.O. Linguagem na Síndrome de Down. In: Fernandes FDM, Mendes BCA, Navas ALPGP. Tratado de Fonoaudiologia. 2ª edição. São Paulo: Roca. cap. 37, 2010, p. 373-380.

5.               PORTO-CUNHA, E.; LIMONGI, S.C.O. Communicative profile used by children with Down Syndrome (original title: Modo comunicativo utilizado por crianças com Síndrome de Down). Pró-Fono Rev Atual Cient, Barueri, v. 20, n. 4, p. 243-248 out-dez, 2008.

6.               BRANDÃO, S.R.S. Desempenho na linguagem receptiva e expressiva de crianças com Síndrome de Down. Dissertação (Mestrado). Universidade Federal de Santa Maria. Santa Maria. 2006.

7.               ANDRADE, R.V. A emergência da comunicação expressiva na criança com Síndrome de Down.Tese (Doutorado). Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. São Paulo –SP. 2006.

8.               FERREIRA, A.T.; LAMÔNICA, D.A.C. Estimulação da linguagem de crianças com Síndrome de Down. In: LAMÔNICA, D.A.C. Estimulação da linguagem: aspectos teóricos e práticos. São José dos Campos: Pulso Editorial, 2008. cap 10, p. 179-197.

9.               VYGOSTSKY, L.S. Aprendizagem e desenvolvimento intelectual na idade escolar. In: VYGOSTSKY, L.S.; LURIA, A.R.; LEONTIEV, N.A. Linguagem, desenvolvimento e aprendizagem. São Paulo, Editora Ícone, 5ª edição. 1994, p. 103-107.

10.            MCPHERSONO, B.; LAI, S.P.; LEUNG, K.K.; NG, I.H. Hearing loss in Chinese school children with Down syndrome. Int J Pediatr Otorhinolaryngol, Amsterdam, v. 71, n. 12, p. 1905-1915, dez, 2007.

11.            SHOTT, S.R. Down syndrome: common otolaryngologic manifestations. Am J Med Genet C Semin Med Genet. Hoboken, v. 142C, n.3, p. 131-40, ago, 2006.v.

12.            FLABIANO, C.F.; BÜHLER, K.E.C.B.; LIMONGI, L.C.O. Desenvolvimento cognitivo e de linguagem expressiva em gêmeos dizigóticos: influencia da Síndrome de Down e da prematuridade associada ao muito baixo peso. Rev Soc Bras de Fonoaudiol. São Paulo, v. 14, n. 2, p. 267-274, abr-jun, 2009.

F.A.Q.
Desenvolvido por Lecom S.A.