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Como estimular a Linguagem de 0 a 6 meses

A estimulação da linguagem deverá acontecer desde os primeiros dias de vida do bebê. Cada momento da vida diária poderá ser aproveitado para que seja feita a interação entre a criança, familiares e cuidador.

É esperado que os bebês apresentem "tipos de choros" diferentes quando sentem dor, fome, frio e outras sensações; que acalmem-se com a voz da mãe; prestem atenção aos estímulos relacionados à fala humana e realizem sons e risos passando a sensação de bem-estar. Desta forma, é importante estar atento à criança para identificar estas reações¹.

Um aspecto importante para a família observar refere-se ao sono do bebê. O sono reflete o amadurecimento da criança e cumpre sua função reguladora e reparadora no organismo. Quando falamos de sono, nos referimos ao período em que o bebê está dormindo, tanto diurno quanto noturno. É necessário conciliar o sono do bebê com a rotina da família, respeitando o ritmo da criança. Quando o bebê está em alerta é o melhor momento para ele receber a estimulação, pois, nestes momentos ele deverá estar acordado e atento, para um melhor aproveitamento de cada atividade².

Outro aspecto relevante relaciona-se a amamentação. As crianças com Síndrome de Down também devem receber o aleitamento materno, pois, este traz grandes benefícios nutricionais, imunológico e também favorece o estabelecimento de vínculo afetivo entre mãe e filho. Com a amamentação natural a criança poderá melhorar a força muscular de estruturas orais como os lábios, língua e bochechas, que favorecerão o desenvolvimento da face e preparação dos órgãos orais para a fala. Ao ser amamentada a criança recebe estímulos térmicos, olfativos, visuais, auditivos e motores que favorecem seu desenvolvimento global, sendo de extrema relevância para o desenvolvimento da linguagem e fortalecimento das relações afetivas3.

Mostrar para a criança os diferentes locais da casa e também mudá-la de posição, por exemplo, de lado, de bruços ou com o corpo mais elevado. Dessa forma, ela poderá perceber as diferentes partes do seu corpo e se relacionar com o ambiente de diversas maneiras1.

Até o 4º mês de vida, o bebê com a Síndrome de Down pode se sentir incomodado ao ficar sentado, devido às dificuldades respiratórias causadas pela baixa tonicidade dos músculos de tórax e abdômen. Para o bebê conseguir ficar mais confortável, os pais ou o cuidador poderá moldar suas mãos ao redor do tronco do bebê ou colocá-lo sentado no colo do cuidador4.

Realizar atividades que envolvam contato entre o corpo do bebê e de quem está com ele. Proporcionando à criança sensações agradáveis, por meio de beijos, abraços e dar ao bebê a oportunidade de retribuir esses carinhos5.

Os bebês precisam fazer parte de um ambiente cheio de carinho e diálogo, para que consigam se desenvolver. Recomenda-se conversar com a criança durante as atividades de vida diária como banho, alimentação, troca de roupas. Durante essas atividades é importante que tenha o contato visual (olhar para os olhos da criança) assim, estará demonstrando não só afeto pelo bebê, mas também, interesse diante das tentativas de resposta. É importante também, que o tom de voz seja sempre demonstrando carinho6.

Para conseguir manter a atenção visual da criança, é necessário que se mantenha um objeto com cores fortes (vermelho, azul) ou com cores que tem contraste (por exemplo, branco e preto) de 25 a 30 cm de distância do rosto do bebê4, assim, está sendo estimulada a fixação do olhar da criança, podendo também contribuir para a atenção da criança em outras atividades de estimulação.

Com a criança deitada de barriga para cima, mantendo contato visual com o bebê, a atenção da criança será chamada por meio de mímicas faciais, acompanhadas de uma voz suave, e levando o próprio rosto do meio para a direita, novamente no meio, e em seguida repetir o mesmo movimento para o lado esquerdo. Objetos coloridos e/ou sonoros, que chamem a atenção da criança também podem ser usados, podendo também ser levados até desaparecerem atrás da criança5.

Oferecer estímulos sonoros (podendo ser um brinquedo que faça um som suave ou mesmo a voz humana) de 15 a 20 cm de distância da orelha do bebê. Neste caso, espera-se que a criança demonstre alguma reação, como demonstrar atenção, piscar os olhos ou ate mesmo inclinar a cabeça em direção ao estimulo sonoro4.

Quando a criança emite sons, os pais ou o cuidador poderão repetir esses sons, acompanhados de expressões faciais, estimulando assim o diálogo com a criança. Estimular a criança a imitar sons familiares e mostrar a imagem do bebê diante de um espelho enquanto fala o nome da criança5.

Falar ou fazer sons, com a criança em seu campo visual, e em seguida se esconder, à direita ou à esquerda da criança, e falar novamente verificando se a criança procura o som também é uma forma de estimulação. Por volta dos 6 meses, essa mesma atividade poderá ser realizada com a criança em diferentes posições, por exemplo, deitada de costas, de barriga para cima ou sentada5.

 

Referências:

1.               BIZZOTO, M.O. (Org). Programa de Intervenção precoce: 0 à 24 meses: Florianópolis: Fundação Catarinense de Educação Especial, 1979.

2.               PRADO, L..M..; Desenvolvimento e avaliação de material multimídia para orientação de pais e cuidadores de crianças com Síndrome de Down [dissertação] Bauru: Faculdade de Odontologia de Bauru, Universidade de São Paulo; 2011.

3.               FERREIRA, A.T.; LAMÔNICA, D.A.C. Estimulação da linguagem de crianças com Síndrome de Down. In: LAMÔNICA, D.A.C. Estimulação da linguagem: aspectos teóricos e práticos. São José dos Campos: Pulso Editorial, 2008. cap10, p. 179-197.

4.               Estimulação precoce: inteligência emocional e cognitiva. A Linguagem. São Paulo: Grupo Cultural, [2008?], cap 10, p. 85-93.

5.               PEREIRA, K. Perfil do desenvolvimento motor de lactentes com Síndrome de Down dos 3 aos 12 meses de idade. Tese (Doutorado). Universidade Federal de São Carlos. São Carlos-SP, 2008.

6.               MARQUES, R.S.F.V.; LOPEZ, F.A.; BRAGA, J.A.P. O crescimento de crianças alimentadas com leite materno exclusivo nos primeiros 6 meses de vida. Arch Pediatr Urug. Montevideo, v. 77, n. 2, p. 178-185, jul, 2006. Disponível em: http://www.sup.org.uy/Archivos/adp77-2/pdf/adp77-2_17.pdf. Acesso em 24 jun 2010.

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